terça-feira, 12 de outubro de 2010

Vira-Lata


Cão magro, vadio,
Focinho comprido;
De pernas pendentes,
Olhar compungido
De quem vai pedir.

Esqueleto a mostra
Nas noites de lua,
Ansioso, procura
Nos fundos da rua
Um osso qualquer.

Tem medo de tudo
E foge assustado,
Sentindo lambadas
No pêlo surrado,
Ganindo de dor.

É cão vira-lata
Não usa coleira;
É livre e feliz...
Sem eira nem beira,
Sem dono também.

Santiago Ribeiro

Um comentário:

  1. Esse seu estilo me fascina. Não deixa a desejar a nenhum poeta.

    ResponderExcluir