terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Morte do Poeta



As lâminas de tuas falas
ecoam em ondas pela sala
caminhando nos três anos
da tua distância
Leio bulas de anfetaminas
no entrespaço caótico de meus poemas
sobre o sofá desengonçado de meus pensamentos

No domingo
o vizinho ouve futebol
não perdoando Bach
infiltrado na chuva

Tenho uma folha de papel
em branco
uma caneta em preto
uma solidão
um medo de amar
um pensamento de suicídio

Tomo chás naturais
com impressão de cicuta
Recito meus versos ao espelho
sob a aura dos desesperados
na arena dos romanos

Entre um verso agoniado
teu nome brota, ânsio de voz,
estendendo suas raízes
vincando o papel de parede
aprofundando-se em minha necessidade
de ti

Tuas lâminas vazam minha
máscara
alcançando-me através dos anos

Olho pela janela
a chuva abre crateras no chão
É outra guerra
Engulo poções mágicas
premeditando vôos
sobre a folha estendida
Empunho meu florete
digladio com tuas lâminas
sob a chuva, Bach e Mozart
aguardando a calma da noite
que nunca se define

As lâminas das quais falo
mergulham silenciosamente
nas gavetas dos sons futuros
aguardando minha chegada ao presente.

3 comentários:

  1. Lindo blog, Santiago!!! Belos poemas!
    PARABÉNS , adorei o título!
    beijo

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  2. A tristeza relembra nossa natureza. Só fica triste quem sente. E mesmo com isso, o poeta dança e flutua. Amo você

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